Equipe Reparou
27 de jun. de 2026 · 12 minO carro está no box, desmontado. Falta uma peça. Alguém "achou que tinha" e ninguém pediu. Agora o cliente espera, o box fica preso e você liga para o fornecedor pagando frete de urgência. Essa cena tem cura, e ela cabe numa única frase: comprar quando o estoque atinge o ponto de pedido — não quando zera.
Este guia ensina a calcular esse ponto e a montar uma folga de segurança que se paga sozinha.
O gráfico que todo gestor de estoque deveria conhecer
O nível de uma peça ao longo do tempo desenha um padrão clássico — o "dente de serra":
Ponto de pedido = consumo por dia × lead time + estoque de segurança. É o nível que dispara a compra — com folga para a peça chegar antes de zerar.
Leia o gráfico da esquerda para a direita: o estoque desce na inclinação do consumo (quanto mais inclinado, mais você vende por dia). Quando cruza a linha do ponto de pedido, é hora de comprar. Mas a peça não chega na hora — ela demora o lead time (a faixa amarela). Por isso o ponto de pedido fica acima do zero: ele precisa cobrir o consumo enquanto a peça vem. Embaixo, o estoque de segurança é o colchão para quando a demanda sobe ou o fornecedor atrasa. Sem essa política, o dente fura o eixo — e furar significa ruptura: venda perdida e serviço parado.
A fórmula, em português de oficina
São três ingredientes — cada um você já conhece da sua rotina:
Consumo médio por dia
Quanto dessa peça você usa, em média, por dia. Sai do histórico de OS e vendas. Não precisa de bola de cristal: a média dos últimos 90 dias já é um bom termômetro.
Lead time (tempo de reposição)
Quantos dias o fornecedor leva entre o pedido e a peça entrar na prateleira. Se você pede hoje e chega em 4 dias, seu lead time é 4.
Estoque de segurança
A folga para o inesperado. Numa conta simples, é (prazo máximo de entrega − prazo normal) × consumo médio. Quem quer precisão usa a fórmula estatística (Z × desvio da demanda × √lead time), em que Z = 1,65 cobre 95% dos cenários. Na prática da oficina, comece simples: uns dias de consumo como colchão.
Um exemplo numérico
Digamos uma pastilha que você vende 5 por dia, com fornecedor que entrega em 4 dias, e você quer 6 de folga:
| Variável | Valor |
|---|---|
| Consumo médio | 5 peças/dia |
| Lead time | 4 dias |
| Estoque de segurança | 6 peças |
| Ponto de pedido | 5 × 4 + 6 = 26 peças |
Quando o disponível chega a 26, dispara a compra. Você nunca chega a zero — e nunca carrega estoque demais "por via das dúvidas". (O mesmo raciocínio vale em qualquer escala: um centro de distribuição que vende 100/dia, com lead time de 7 dias e 300 de segurança, tem ponto de pedido de 1.000.)
Estoque de segurança: a folga que se paga
Pode parecer contraditório falar em "ter folga" depois de pregar contra estoque parado. A diferença é que o estoque de segurança é calculado, não chutado: ele cobre exatamente a incerteza do seu fornecedor e da sua demanda. Sem ele, você troca um custo pequeno e previsível (uns dias de peça parada) por um custo grande e imprevisível (ruptura, frete de urgência, cliente perdido).
No Reparou: o ponto de pedido vira sugestão de compra
Você não precisa fazer essa conta peça por peça. O Reparou calcula o consumo médio do histórico, cruza com o lead time que você cadastrou e monta o ponto de pedido sozinho. Quando uma peça cruza esse nível, ela aparece na aba A comprar com a quantidade já sugerida — e um clique gera a solicitação de compra para o fornecedor. Se uma saída leva uma peça abaixo do mínimo, o gestor recebe um alerta de ruptura na hora. É a fórmula deste guia, rodando no automático. Veja na página de funcionalidades.
Com gestão (guia completo), curva ABC (onde está o dinheiro) e ponto de pedido, você fecha o tripé do estoque que dá lucro: nada falta, nada sobra, e o seu capital fica girando — não dormindo na prateleira.
Fontes e referências
Sua oficina rodando como uma equipe de corrida
Orçamento no WhatsApp, fiscal incluído, portal do cliente e IA — tudo num plano só.


